Texto original de: Esther VargasFoto: Perú21.pe
O que os jornalistas teriam que fazer frente ao boom das redes sociais, jornalismo participativo e conteúdos compartilhados em segundos?
O surgimento da Web social, como ocorreu sempre que uma tecnologia foi socialmente apropriada, está produzindo uma mudança cultural cujo alcance ainda não podemos avaliar. As mídias tradicionais, e também as empresas, as instituições e a educação, se encontram frente a um panorama comunicativo renovado pela presença dos usuários como novos atores com voz pública. Às mídias e aos jornalistas cabe a tarefa urgente de se reinventar, não só de se reciclar, mas de pensar-se de novo, de reconstruir sua identidade e redefinir sua função social.
Hoje a comunicação pública é inconcebível sem as redes sociais e sem a participação dos usuários filtrando, gerando e compartilhando conteúdos. Neste novo cenário, os jornalistas e as mídias enfrentam o desafio de aprimorar suas qualidades, de aportar excelência. Com a popularização da comida rápida, elaborada de modo descuidado com produtos de baixa qualidade, o que se exige dos profissionais e das empresas de da comunicação é que se tornem a alta cozinha da informação.
O Twitter está mudando o jornalismo?
O Twitter é um magnífico sistema global de alerta rápido para detectar breaking news e tendências, uma boa rede para entrar em contato com experts e testemunhos em tempo real e uma grande oficina para aprender o texto breve e a leitura do fluxo. Se este tipo de coisas (Twitter) não mudam o jornalismo, já não sei o que poderia mudá-lo.
As mídias estão mudando ou não entendem o que se passa na Internet?
As mídias massa, por definição, não são nativos digitais. Estão sendo obrigados pelas circunstâncias a converter-se em imigrantes digitais, a mudar sua cultura, sua linguagem, suas narrativas e seus procedimentos para adaptar-se a um cenário que funciona com regras totalmente diferentes das do passado. As mídias que o assumirem vão sobreviver e as mídias que não tiverem a inteligência, a vontade ou a coragem de mudar, vão desaparecer.
Porque os chamados jornalistas tradicionais se assustam tanto com a tecnologia?
Os jornalistas, como todo mundo, temem aquilo que desconhecem, e, mais ainda, se ameaça seu status social e profissional. Frente ao novo cenário da comunicação pública cabem duas atitudes: a daqueles que se acomadam na queixa e no discurso apocalíptico e a daqueles que estão dispostos a mudar sua cultura e reinventar mídias e profissões que continuarão a ser necessárias só se forem feitas de uma maneira diferente.
José Luis Orihuela, autor do livro La revolución de los blogs e do weblog eCuaderno, participa em Lima (Peru) de um seminário profissional para comunicadores.
A matéria original você pode ler em: http://peru21.pe/noticia/292807/si-twitter-no-cambia-al-periodismo-ya-no-se-que-podria-cambiarlo
Tradução: Marta Almeida
Estou publicando por considerar a relevância do conteúdo para os profissionais da área no Brasil e porque dificilmente este texto seria lido no Brasil em seu contexto original, principalmente pelos estudantes de jornalismo, a quem o conteúdo deve interessar profundamente.
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